Com montagem especialmente pensada para plataformas digitais

AQUELE QUE CAMINHA AO LADO é uma peça de teatro simbolista, que cria situações de conflito extremo, ambientadas na fronteira entre o real e o virtual. Com texto de Daniela Smith e direção compartilhada entre o ator e diretor Francisco Taunay, o poeta e compositor Bernardo Vilhena e o videoartista Thiago Sacramento, o espetáculo é interpretado por Alexandre David, Francisco Taunay, Katia Bronstein, Luciana Borghi, Nelson Moreira e Vanessa Pascale. Serão sete apresentações, sempre às segundas, às 20h, entre 14 de dezembro de 2020 e 25 de janeiro de 2021. A peça será encenada ao vivo no Zoom, editada em tempo real, e veiculada pelo Youtube. Os ingressos estão à venda na plataforma Sympla.

Inspirada na estética de filmes como Pulp Fiction e As Horas, a peça parte de três diferentes cenas, que se fragmentam e se complementam: A Outra, A Marca do Recusado e Do Outro Lado do Mar. Esses diálogos acontecem em lugares propícios à intimidade e mostram personagens perdidas, colocadas em situações extremas.

É um universo opressivo, que aponta para um lugar intermediário entre vida e morte, realidade e ficção, psiquê e inconsciente. Os personagens vivem nesse limbo, nesse não-lugar, repletos de pulsões características da nossa contemporaneidade, em uma espécie de inferno íntimo. Uma das principais características do espetáculo é o conceito de duplo (Doppelgänger), uma réplica de si que alguém encontra durante a vida – uma espécie de gêmeo maligno, que aparece em obras literárias como William Wilson, de Edgar Allan Poe, e O Outro, de Jorge Luis Borges.

As três histórias exploram a convivência consigo mesmo e com o outro, chegando ao limite da impossibilidade dessa convivência – um assunto que está na pauta das reflexões sobre o mundo e o Brasil da contemporaneidade, sob a sombra de um neoconservadorismo e assolada pela Covid-19. Essa época de crise é oportuna para a catalisação de novos formatos artísticos, abrindo espaço para múltiplas possibilidades estéticas inovadoras: uma apresentação ao vivo, mediatizada por sons e imagens através de computadores e celulares, onde o clímax produzido pelos atores atinge o espectador através de um fluxo virtual.

A Outra traz a história de uma mulher que se depara com o seu reflexo no espelho, e este toma vida na sua frente, para depois asfixiá-la e ocupar o seu lugar. Esse reflexo aparece como um lado selvagem, que instiga a mulher a se comportar de uma maneira diferente, se libertando de suas amarras. É a figura do subconsciente, que começa a influenciar livremente as vontades da personagem. O reflexo vivo, na figura da Outra, é um duplo da própria mulher, e sai do espelho para assombrá-la.

Em A Marca do Recusado, Walter e João se encontram em um galpão abandonado para jogar um jogo, um ritual onde cada um se expõe para o outro, mostrando as nuances da sua interioridade. Esse pacto entre os dois, repleto de sutilezas e violência, revela de uma forma crua uma espécie de microfísica do poder, expresso na alternância de domínio entre cada personagem; na relação entre dominador e dominado.

Em Do Outro Lado do Mar, um casal está preso em uma casa abandonada à beira-mar sem portas e janelas. Por uma fresta na parede eles conseguem ver o mar, e também têm uma visão da morte. O que importa é a relação de dominação e a obsessão desenvolvida por eles; a loucura. Essa cena traz um assunto bastante discutido no momento: as relações de dominação entre homem e mulher, que podem levar ao feminicídio.

A direção do espetáculo trabalha com a simplicidade e a crueza da cena. A base da interpretação dos atores é naturalista, redimensionada por um clima, um ambiente simbolista, catalisado pelos estímulos sensoriais que envolvem os intérpretes e espectadores. A possibilidade do corte cinematográfico, fragmentando as cenas e trazendo complexidade à trama, é uma ferramenta notável na realização da peça.

A história possui um viés psicanalítico, começando com a procura do Eu, do Self, da descoberta de si mesmo pelas personagens. Elas então passam pela experiência turbulenta da intuição, buscando a própria liberdade. E finalmente chegam à razão, onde, de uma forma alternativa ao status quo, é possível se livrar dos preconceitos.

Imagens em movimento, luz, música, sons, temperatura de cores, alguns gestos e movimentações marcadas, contribuem para alimentar uma alegoria, repleta de símbolos, do encontro entre seis seres: uma fricção de tamanha intensidade que produz um clímax, conduzindo a encenação ao paroxismo.

AQUELE QUE CAMINHA AO LADO é uma criação de Daniela Smith, que concebeu uma parte do texto durante um longo período como integrante do CPT (Centro de Pesquisa Teatral) sob a supervisão de Antunes Filho, um dos mais geniais diretores do teatro brasileiro. O texto é uma elaboração do que o diretor apelidou como Pret-à-Porter, uma série de pequenas cenas que aparentam ser fragmentos da própria vida através de um estudo minucioso da estética naturalista. Para o cinema, Daniela colaborou em roteiros como o do longa metragem Chega de Saudade, de Laís Bodanski.

O diretor Francisco Taunay é doutor em Artes Cênicas (UNIRIO), historiador e filósofo (PUC-RJ). Ator formado pela CAL-RJ, teve significativa passagem pelo Teatro Oficina, onde foi dirigido por José Celso Martinez Corrêa em peças como Boca de Ouro, Cacilda!!!! e Os Sertões. Como diretor, encenou os espetáculos Cíclopos (2001); Kristalus (2006); Dojoji (2011), de Yukio Mishima; A Tempestade em Progresso (2013), de Shakespeare; Heroídes, de Ovídio [vencedor do prêmio de multilinguagens da SMC do Rio de Janeiro] (2015); e Laura, de Fabrício Moser (2018).

O diretor Bernardo Vilhena é poeta, compositor, dramaturgo e diretor de programas de TV, como Fama, na Rede Globo. Tem uma série de hits como Menina Veneno, Vida Bandida e Vida Louca Vida, entre centenas de músicas cantadas por grandes intérpretes nacionais. Bernardo tem se dedicado à dramaturgia: escreveu o libreto da ópera O Cientista sobre a vida de Oswaldo Cruz, com música do maestro Silvio Barbato, apresentada pela orquestra e coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro; adaptou para o teatro o poema Cobra Norato do poeta modernista Raul Bopp, previsto para 2022 para as comemorações da Semana de Arte Moderna; e escreveu o musical sobre a vida de Luiz Melodia, Meu nome é Ébano, previsto para 2021.

Thiago Sacramento se alia ao ator e ao poeta, completando o trio de diretores e concebendo a estética audiovisual do espetáculo. Videoartista experimental, Thiago acaba de dirigir a peça online Histórias de Confinamento, o mais recente espetáculo do Grupo Galpão.

No elenco: o ator, diretor e tradutor da obra do dramaturgo romeno Matéi Visniec, Alexandre David (Verão 90, Cabocla e Sob Pressão, da TV Globo, e o filme Tropa de Elite 2); a atriz, cantora e compositora Katia Bronstein (Ópera do Malandro, Lost Zweig – Os Últimos Dias de Stefan Zweig no Brasil); a atriz de teatro e TV Luciana Borghi (Sol Nascente, Tempos Modernos, da TV Globo, peça Na Casa do Rio Vermelho – O Amor de Zélia e Jorge); Nelson Moreira (Estela), ator das montagens do saudoso diretor Márcio Vianna; a atriz e apresentadora Vanessa Pascale (Sabor da Paixão e Totalmente Demais, da TV Globo); além de Francisco Taunay.

A direção de arte de Milena Vugman (Conspiração Filmes), a fotografia de cinema de Marcio de Andrade (Carraspana/ Asfalto), assim como os figurinos de Bia Salgado (Cidade de Deus / O Menino que Descobriu o Vento) contribuem para o apuro estético da obra. A música incidental é de Antonio Saraiva, compositor parceiro de artistas como Ney Matogrosso e Marcos Sacramento. A pós-produção e os efeitos especiais são de Rafael Galo, VJ que se apresentou na abertura das Olimpíadas do Rio, em 2016.

Tudo isso torna AQUELE QUE CAMINHA AO LADO uma peça singular, uma obra de vanguarda no cenário da criação artística pós-pandemia. Entre o que seria uma peça de teatro ou um filme, ou mesmo um trabalho de VJing, essa obra possui um caráter fronteiriço, e por isso mesmo, inovador.


Serviço – AQUELE QUE CAMINHA AO LADO

De 14 de dezembro de 2020 a 25 de janeiro de 2021
Todas as segundas, às 20h
Duração: 55 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Peça de teatro online exibida pelo Youtube
Ingressos: www.sympla.com.br/aquelequecaminhaaolado
Preços: a partir de R$ 20
Ficha técnica
Texto: Daniela Smith
Idealização: Francisco Taunay
Direção: Francisco Taunay, Bernardo Vilhena e Thiago Sacramento
Atores: Alexandre David, Francisco Taunay, Katia Bronstein, Luciana Borghi, Nelson
Moreira e Vanessa Pascale
Produção: Velocino
Produção Executiva: Marcelo Marrah
Direção de Arte: Milena Vugman
Figurino: Bia Salgado
Direção de Fotografia: Marcio de Andrade
Imagens ao Vivo (VJing): Thiago Sacramento
VFX e pós-produção: Rafael Galo
Música Original: Antonio Saraiva
Operador de Som: Bárbara Toledo
Pesquisa de Imagens e Videografia: Ana Costa Ribeiro
Programação Visual/ Design: Roberto Unterladstaetter
Visibilidade na Rede/ Marketing Digital: Priscila Corrêa
Assessoria de Imprensa: Flavia Tenório (LEAD Comunicação).

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Especializada em Cultura (Arte, Lazer e Entretenimento).

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